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A CRISE NO STF:
para muito além da direita e da esquerda
Por Ricardo Vianna Hoffmann
Publicado em 21/09/2026 05:15 • Atualizado 21/09/2026 05:19
Entretenimento

A CRISE NO STF: para muito além da direita e da esquerda

Ricardo VIANNA HOFFMANN

Eu vejo de forma diferente, ciente de que cada pessoa tem o seu ponto de vista e enxerga a realidade a partir do lugar em que se encontra.

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Brusque (SC)

 

1. Advertência ao leitor

Advirto o leitor de que este artigo se baseia exclusivamente em notícias publicadas pela imprensa, pois não tive, nem tenho, acesso aos autos do processo. As informações aqui reproduzidas, muitas delas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, são relatos jornalísticos e ainda não foram submetidas ao contraditório e à ampla defesa.

Por isso, é preciso ter presente o princípio da presunção de inocência, previsto no art. 5º, LVII, da Constituição Federal (BRASIL, 2026). Ninguém pode ser considerado culpado antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

Uma eventual condenação exige provas robustas e conclusivas, produzidas sob o contraditório e a ampla defesa e examinadas por juízes imparciais.

Feita essa advertência, o texto trata da crise no Supremo Tribunal Federal e na Procuradoria-Geral da República, a partir das revelações sobre as relações entre Daniel Vorcaro, do Banco Master, e os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, bem como o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Defendo que todos os fatos sejam apurados com imparcialidade, transparência e respeito ao devido processo legal.

2. O cenário da crise

As eleições, no momento, ficaram em segundo plano, pois, nas redes sociais e nos noticiários, só se escreve e se noticia sobre o ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. E, mais recentemente, foram encontradas mensagens que citam os nomes dos ministros André Mendonça, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes. Tem tudo para virar uma série, pois envolve poder, política, dinheiro, suspeitas de corrupção e até menções a encontros com mulheres na alta cúpula dos poderosos do país, a elite, os “bacanas”.

3. Alexandre de Moraes: o ponto de partida

Para situar o leitor, a crise tem como ponto de partida o ministro Alexandre de Moraes. Segundo a reportagem da BBC News Brasil, assinada por Mariana Schreiber, Marina Rossi e Rute Pina (2026), mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam interações dele com um contato salvo com o nome de Alexandre de Moraes. As jornalistas tratam esses diálogos como “possíveis interações” entre o banqueiro, o ministro e pessoas ligadas à família do magistrado.

De acordo com a reportagem, nos diálogos Vorcaro cobrava atenção especial aos pagamentos do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. As mensagens foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e tiveram o sigilo suspenso pelo ministro André Mendonça em 1º de setembro de 2026.

Um dia antes, Mendonça havia dado cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República analisasse o relatório da Polícia Federal sobre a relação entre Moraes e Vorcaro e se manifestasse sobre a abertura de uma investigação contra o ministro. Na decisão que retirou o sigilo, afirmou que o caso deverá ser submetido ao plenário do STF (SCHREIBER; ROSSI; PINA, 2026).

Ainda conforme as jornalistas, no início da noite daquele dia a PGR se manifestou contra os procedimentos adotados por Mendonça e pediu a nulidade do inquérito. O procurador-geral, Paulo Gonet, sustentou que o relator não poderia ter determinado à polícia a investigação de pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, por exceder os limites de sua competência (SCHREIBER; ROSSI; PINA, 2026).

4. André Mendonça, Gilmar Mendes e Luiz Fux

Sobre o ministro André Mendonça, as jornalistas Andréia Sadi e Juliana Braga noticiaram: “Outra troca de mensagens revela uma tentativa de aproximação com André Mendonça, relator do caso Master no STF. Em 7 de fevereiro de 2025, Vorcaro recebe uma mensagem do advogado Ciro Soares pedindo para ele ligar. ‘Tô com André M.’, justifica. Na sequência, é feita uma chamada de 1 minuto e 10 segundos. No dia seguinte, Ciro envia uma foto ao lado do ministro. Uma semana depois, no dia 16, em um novo diálogo, Ciro diz: ‘Opa Dani!!! Preciso muito falar com vc. O A.M quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes.’ Ele reforça: ‘Muito importante sua ida nele junto comigo’. No dia seguinte, Ciro avisa: ‘Cezinha confirmou às 16h de quarta’” (SADI; BRAGA, 2026).

Sobre o ministro Gilmar Mendes, a jornalista Jussara Soares noticiou que “também veio a público que Vorcaro se reuniu com Gilmar Mendes em abril de 2024, no gabinete do ministro no STF. A audiência, confirmada por Gilmar, contou com a presença de advogados do Banco Master e tratou de uma causa relacionada ao setor sucroalcooleiro. Gilmar afirmou que o encontro ocorreu em ambiente institucional e destacou que votou contra os interesses ligados ao Master nos processos sobre o tema.” (SOARES, 2026).

Sobre o ministro Luiz Fux, a mesma jornalista relata que “as citações a Fux e Nunes Marques vieram à tona durante a sessão de terça-feira (15), convocada para decidir se seria aberto um inquérito contra Moraes. Foram mencionadas conversas de Vorcaro com Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, e referências a Nunes Marques. Durante o julgamento, Mendonça afirmou que estava tomando conhecimento naquele momento de parte das referências aos colegas, porque a cópia dos dados enviada ao seu gabinete permanecia lacrada. As novas informações ajudaram a desviar o foco da sessão, inicialmente convocada para analisar a conduta de Moraes.” (SOARES, 2026).

5. Kassio Nunes Marques e o filho

Quanto a Kassio Nunes Marques, o jornalista Breno Pires (2026), em reportagem publicada na revista piauí, informa que novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, divulgadas em 15 de setembro, reforçam a suspeita de vínculo entre o Banco Master e Kevin Marques, filho do ministro. Nas conversas, o advogado Luiz Rennó, assessor jurídico do Master, associa o pagamento à Consult Inteligência Tributária ao contato de Kevin e, em outra troca, pergunta ao banqueiro se os “500 mil mês” seriam mantidos.

Conforme o relatório do Coaf citado pelo jornalista, o Master transferiu R$ 6,632 milhões à Consult entre agosto de 2024 e julho de 2025, e a empresa repassou R$ 282 mil a Kevin. Isso levanta a hipótese de que a Consult fosse apenas uma intermediária. Pires observa que a média de cada transferência (cerca de R$ 474 mil) se aproxima dos “500 mil” mencionados nas mensagens, mas ressalta que não há elementos para afirmar que os valores estejam relacionados.

O repórter destaca ainda a coincidência entre os repasses e o julgamento, na Segunda Turma do STF, do caso da Destilaria Alcídia, de grande interesse para a carteira de precatórios do Master. Nesse processo, Kassio Nunes Marques havia se declarado impedido, mas voltou atrás e, com o seu voto, o placar de 3 a 2 favoreceu a Alcídia. O resultado foi comemorado por Rennó em mensagem a Vorcaro (“Ganhamos alcidia”) e, minutos depois, ao indicar novamente o contato de Kevin, ele escreveu: “Dominado aqui”.

A reportagem menciona também uma mensagem, enviada por número atribuído ao ministro, solicitando a um agente de viagens ligado a Vorcaro a cotação de uma viagem, e um voo em jato operado por empresa da qual o banqueiro foi sócio.

O ministro e o filho negam irregularidades. Afirmam que Kevin prestou serviço tributário efetivo e devidamente declarado, que o recurso julgado não era do Master e que o ministro nunca votou a favor de Vorcaro nem trocou mensagens com ele (PIRES, 2026).

Em outra reportagem, os jornalistas Andreza Matais e Andre Shalders, do Metrópoles (2026), informam que conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram que uma mulher identificada como Rayanna tratou com ele de um encontro com mulheres em São Paulo. Dias depois, ela afirmou que uma delas “ficou com o kassio” e a estava cobrando. Vorcaro pediu os dados e o valor para o pagamento, e Rayanna respondeu com o número 10. Segundo os jornalistas, o contexto das mensagens aponta para uma possível menção ao ministro Kassio Nunes Marques.

Os jornalistas ressalvam que as mensagens não informam o sobrenome de “kassio”, não esclarecem a natureza do encontro nem a que se refere o número 10, e que o ministro negou à coluna ter tido encontro com essa mulher. Conforme a reportagem da piauí, Rayanna disse desconhecer o episódio, e a assessoria do ministro afirmou que ele não tem conhecimento do contexto das mensagens (MATAIS; SHALDERS, 2026; PIRES, 2026).

6. Dias Toffoli e a Maridt

Quanto ao ministro Dias Toffoli, o g1 e a GloboNews, em reportagem de Ana Flávia Castro, Reynaldo Turollo Jr. e Erick Rianelli (2026), informaram que, em 12 de fevereiro de 2026, ele confirmou integrar o quadro de sócios da Maridt Participações, empresa familiar dirigida pelos irmãos do magistrado, que fez negócios com um fundo gerido pela Reag, empresa ligada ao Banco Master. Segundo a reportagem, o ponto de contato entre as empresas foi o resort Tayayá, no Paraná, do qual a Maridt vendeu sua participação em operações concluídas em fevereiro de 2025. Em nota, o ministro afirmou que a administração da empresa é feita por parentes, condição que, segundo ele, é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura, e negou relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro. É nesse contexto que se discute a sua suspeição para atuar no caso, sem que haja, até o momento, conclusão de ilegalidade (CASTRO; TUROLLO JR.; RIANELLI, 2026).

7. A credibilidade do Supremo

Essa crise é muito séria e grave, pois, para muito além das ideologias políticas da direita e da esquerda, está em xeque a credibilidade do Supremo Tribunal Federal, instituição imprescindível ao sistema democrático.

É nosso dever, como cidadãos e cidadãs, salvaguardar o Supremo Tribunal Federal e, para isso, precisamos exigir transparência e investigações sobre os fatos, distantes das ideologias político-partidárias, imparciais e conduzidas conforme o devido processo legal.

Portanto, diante dos sérios fatos revelados pela imprensa e tornados públicos pelo ministro André Mendonça, ao suspender o sigilo das mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, e para salvaguardar o STF, evitar o seu descrédito e garantir a confiança dos cidadãos e cidadãs na instituição, é preciso investigar essas mensagens e, agora, também as mensagens entre Vorcaro e os ministros André Mendonça, Fux, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes.

8. O procurador-geral da República, Paulo Gonet

Para situar o leitor sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a jornalista Jenifer Ribeiro, da CNN Brasil (2026), informa que o Conselho Superior do Ministério Público Federal analisará, na sexta-feira (25), em sessão extraordinária, as menções a Gonet em mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro. O objetivo é avaliar se os registros levantados pela Polícia Federal comprometem a imparcialidade do procurador-geral na condução dos casos relacionados ao Banco Master.

Segundo a reportagem, o procedimento foi aberto na primeira semana de setembro, após representação de parlamentares do Partido Novo, que pediram o afastamento de Gonet do caso e a atuação da subprocuradoria da PGR em seu lugar. Uma eventual investigação só deve ser aberta se o relator no Conselho, o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, identificar irregularidades na conduta de Gonet. Como o Conselho é presidido pelo próprio procurador-geral, quando há questão de impedimento envolvendo Gonet quem assume é o vice-presidente, Nicolao Dino de Castro (RIBEIRO, 2026).

A jornalista lembra que Gonet é citado em ao menos duas trocas de mensagens. Em uma delas, entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, o então dono do Master teria pedido que Moraes tentasse reverter, junto a Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, as investigações sobre o banco. Os investigadores identificaram “Paulo” e “Andrei” como referências a eles. Na outra, o relatório da PF indica que o advogado Ciro Soares teria intermediado conversas entre Gonet e Vorcaro. Segundo a reportagem, uma foto extraída do celular de Vorcaro mostra o procurador-geral ao lado do ex-banqueiro em um evento em Londres, em abril de 2024, e a PGR confirmou a autenticidade da imagem (RIBEIRO, 2026).

Antes disso, em 1º de setembro, o Jornal Nacional (2026) já havia noticiado que mensagens recuperadas pela Polícia Federal indicam relação próxima entre o dono do Master e Paulo Gonet.

Gonet nega ter relação de proximidade ou amizade com Vorcaro. Em manifestação ao Conselho, afirmou não ter interesse pessoal nos processos, considerar-se plenamente apto a atuar nos casos do Master e declarou que seu único encontro presencial com o ex-banqueiro foi o de Londres, que descreveu como breve e banal, sem saber previamente quem eram os patrocinadores do evento. Sustenta ainda que as informações reunidas até agora não justificam a abertura de procedimento contra ele nem reconhecem suspeição ou impedimento (RIBEIRO, 2026).

9. Mendonça, o ITER e o “balaio de siri”

A jornalista Amanda Audi, da Agência Pública (2026), informa que parlamentares do PSOL acionaram órgãos de controle para investigar possíveis irregularidades em contratos sem licitação entre o poder público e o Instituto Iter, entidade privada ligada ao ministro André Mendonça, que fazia parte da sociedade. Segundo levantamento da Revista Fórum, assinado por Plínio Teodoro (2026), o Iter firmou ao menos 55 contratos com órgãos públicos, somando cerca de R$ 10,8 milhões, dos quais 54 (98,2%) sem licitação prévia. A própria reportagem da Fórum ressalva que a contratação direta é prevista em lei e, por si só, não indica irregularidade.

As representações, protocoladas em 3 de setembro pela deputada federal Luciene Cavalcante, pelo deputado estadual Carlos Giannazi e pelo vereador paulistano Celso Giannazi, foram dirigidas aos Tribunais de Contas do Município e do Estado de São Paulo e à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social. Os parlamentares lembram que a Lei de Licitações admite a inexigibilidade de concorrência apenas em situações excepcionais e levantam a suspeita de que o prestígio de Mendonça no STF possa ter sido usado como justificativa para driblar a licitação e inflar preços. A reportagem registra que pediu resposta ao ministro, por meio da assessoria do STF, e que o espaço seguia aberto (AUDI, 2026).

É fato, confirmado pelo ministro André Mendonça, que ele também se reuniu com Daniel Vorcaro na sede do Iter, seu instituto, em São Paulo, em 14 de março de 2025, segundo ele, para tratar de assuntos relacionados a precatórios (AUDI, 2026). Aqui há outro problema muito sério: as contratações desse instituto por governos, sem licitação, são incompatíveis, ética e moralmente, com o cargo de ministro do STF, ainda que, neste momento, sem análise da legalidade.

O cenário lembra um “balaio de siri”, expressão que significa tremenda bagunça, confusão, algo completamente fora do controle: os siris, dentro do balaio, começam a se debater e a se prender uns aos outros com as garras e, quando você puxa um, vêm muitos, todos agarrados.

10. Se a casa cair

Esse grande escândalo financeiro, o caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, tem envolvido agentes dos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Ouvi de um político: “Se revelarem tudo e todos, a República cai!” Será? Outro amigo, que participava da conversa, lembrando a música “Se a Casa Cair”, da dupla Teodoro e Sampaio, disse cantando: “Se a casa cair, deixa que caia...” (TEODORO E SAMPAIO, 1999).

Quais riscos vejo? Se “a casa cair”, isso dará margem para que políticos com pensamentos e discursos autoritários, totalitários e extremistas tentem chegar ao poder. Por isso, precisamos vigiar e estar atentos para que a democracia e o Estado Democrático de Direito sejam mantidos e garantidos.

Não podemos deixar “a casa cair”, mas sim despejar os péssimos, antiéticos e corruptos inquilinos, ou seja, investigar de forma imparcial, sem ideologias políticas e sem interesses pessoais voltados a garantir vantagens próprias, mas no interesse da sociedade brasileira, para o bem-estar do povo e para a garantia da soberania do Brasil.

11. O que penso: investigar sem vingança

Assisti à sessão do STF saboreando uma pizza e nada surpreso. Nela, o possível “investigado” e aquele que o “denunciou” votaram, e ouvimos falas, em “defesa” da corporação, de alguns que não estão envolvidos com Vorcaro.

Leitor, o que penso? Penso que o ministro Moraes deve ser investigado e, caso tenha algum envolvimento ilegal, deve arcar com as consequências de seus atos ilegais, abusivos e imorais. Mas isso deve ocorrer por esses fatos e com base neles, e não por vingança nem por ter sido o relator do processo que condenou os golpistas de 8 de janeiro e Jair Messias Bolsonaro. Lembre-se, leitor, de que essas condenações resultaram de decisões unânimes ou por maioria, de ministros indicados por governos de esquerda e de direita.

Não devemos esquecer que toda decisão deve se ater aos fatos, às provas, à lei e ao devido processo legal, garantidos a ampla defesa e o contraditório. A pessoa sob suspeita ou indiciada deve gozar da presunção de inocência e ser julgada por um ou mais juízes imparciais, e todo o processo deve ser conduzido com equidade e justiça, divorciado de ideologias político-partidárias, paixões e interesses pessoais ou de determinados grupos.

Penso, também, que a investigação deve atingir todos os demais ministros revelados nas mensagens do celular de Vorcaro que eventualmente tenham cometido alguma ilegalidade ou imoralidade. Isso porque não interessa à sociedade (ou, ao menos, não deveria interessar) um condenado por vingança ou por qualquer outro desejo; interessa, sim, a condenação do(s) verdadeiro(s) culpado(s).

A bem das instituições da República Federativa do Brasil e da saúde, já tão abalada, do Estado Democrático de Direito, faça-se urgente e obrigatória a investigação profunda de todos esses fatos envolvendo os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e até o próprio André Mendonça, bem como os demais citados nas mensagens reveladas do celular de Vorcaro. Todos eles precisam dar respostas aos cidadãos e cidadãs brasileiros sobre suas relações com Daniel Vorcaro e, da mesma forma, também deve explicações o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

12. O andamento no Supremo e a expectativa

O registro oficial da Petição 16.662/DF informa que, na sessão extraordinária de 15 de setembro, o ministro Nunes Marques declarou-se impedido, o ministro Dias Toffoli afirmou suspeição e o ministro Flávio Dino pediu vista dos autos (BRASIL. Supremo Tribunal Federal, 2026a).

Sobre o andamento do caso no Supremo, o jornalista Nino Guimarães informa: “A sessão, iniciada no dia 15 de setembro, foi interrompida com um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que adiou a resolução do caso. Além disso, Moraes pediu para que seja aberta uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa. O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, determinou que o julgamento do pedido contra Mendonça só será pautado depois que se conclua a questão de ordem para definir se o caso Vorcaro-Moraes será julgado de forma separada ou conjunta.” (GUIMARÃES, 2026).

Leitor, eu espero, e acredito que você também, que o Plenário do STF vote pela investigação e apuração dos fatos, ou seja, das mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e a Daniel Vorcaro e de outros ministros possivelmente envolvidos com Vorcaro.

13. Para encerrar

Mas que os possíveis “denunciante(s)” e os possíveis “investigado(s)” não votem. E aí, quem vai votar?

A pergunta não é retórica.

O Regimento Interno do STF determina que os ministros se declarem impedidos ou suspeitos nos casos previstos em lei (BRASIL. Supremo Tribunal Federal, 2026b).

E, segundo o advogado Fauzi Choukr, doutor em processo penal pela USP, ouvido pela CNN Brasil (2026), não há hoje norma legal que preveja a reposição de ministros em caso de falta de quórum, o que poderia deixar a Corte sem condições de deliberar caso mais ministros fiquem impedidos. Ele sugere, como saída, uma reforma regimental que restabeleça a convocação extraordinária de ministros de outros tribunais.

Leitor, você pode estar se perguntando: vai acabar em “pizza”?

Pois é! Não sei.

 

Nota do autor sobre o uso de inteligência artificial: Declaro que utilizei a ferramenta de inteligência artificial generativa Claude (Anthropic) para: (i) correção gramatical e ortográfica; e (ii) elaboração de sínteses de reportagens jornalísticas, (BBC, piauí, CNN sobre Gonet e Metrópoles), cujas fontes estão indicadas nas referências. As ideias, opiniões, conclusões e a pesquisas nos sites de notícias são de minha autoria.

 

REFERÊNCIAS

ANTHROPIC. Claude Sonnet 5: modelo de linguagem de inteligência artificial generativa. São Francisco: Anthropic, 2026. Disponível em: https://claude.ai. Acesso em: 20 set. 2026.

AUDI, Amanda. Instituto de André Mendonça é alvo de representações para investigar irregularidades. Agência Pública, [S. l.], 11 set. 2026. Entrelinhas do Poder. Disponível em: https://apublica.org/nota/instituto-de-andre-mendonca-e-alvo-de-representacoes-para-investigar-irregularidades/. Acesso em: 20 set. 2026.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2026]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 20 set. 2026.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Petição n. 16.662/DF. Número único: 0183355-16.2026.1.00.0000. Relator: Ministro Presidente. Brasília, DF: STF, 2026a. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=7681133. Acesso em: 20 set. 2026.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Regimento interno: atualizado até a Emenda Regimental n. 59/2023. Brasília, DF: STF, 2026b. Disponível em: https://api-atosnormativosprd.azurewebsites.net/api/normativo/apresentacao/consolidado/1737. Acesso em: 20 set. 2026.

CASTRO, Ana Flávia; TUROLLO JR., Reynaldo; RIANELLI, Erick. Entenda a relação entre o Banco Master e a empresa da família Toffoli. G1, Brasília, DF, 12 fev. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/02/12/entenda-a-relacao-entre-o-banco-master-e-a-empresa-da-familia-toffoli.ghtml. Acesso em: 20 set. 2026.

CNN BRASIL. Não temos leis que resolvam a falta de quórum no STF, diz Fauzi Choukr. CNN Brasil, [S. l.], 19 set. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/nao-temos-leis-que-resolvam-a-falta-de-quorum-no-stf-diz-especialista/. Acesso em: 20 set. 2026.

GUIMARÃES, Nino. 5 dos 10 ministros do STF já receberam dados do celular de Vorcaro. Poder360, Brasília, DF, 17 set. 2026. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/5-dos-10-ministros-do-stf-ja-receberam-dados-do-celular-de-vorcaro/. Acesso em: 20 set. 2026.

JORNAL NACIONAL. Mensagens recuperadas pela PF indicam relação próxima entre dono do Master e Paulo Gonet, procurador-geral da República. G1, [S. l.], 1 set. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/09/01/mensagens-recuperadas-pela-pf-indicam-relacao-proxima-entre-dono-do-master-e-paulo-gonet-procurador-geral-da-republica.ghtml. Acesso em: 20 set. 2026.

MATAIS, Andreza; SHALDERS, Andre. “Ela ficou com o Kassio”: conversa de Vorcaro cita cobrança de R$ 10 mil por encontro. Metrópoles, [S. l.], 15 set. 2026. Disponível em: https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/ela-ficou-com-o-kassio-conversa-de-vorcaro-cita-cobranca-de-r-10-mil-por-encontro. Acesso em: 20 set. 2026.

PIRES, Breno. “Dominado aqui”: pagamentos a empresa ligada ao filho de Kassio Nunes Marques coincidem com julgamento em que ministro tomou decisão favorável aos negócios de Vorcaro. piauí, Brasília, DF, 18 set. 2026. Disponível em: https://piaui.uol.com.br/web/dominado-aqui-kassio-nunes-marques-master-stf/. Acesso em: 20 set. 2026.

RIBEIRO, Jenifer. Conselho do MPF analisa nesta semana mensagens de Vorcaro sobre Gonet. CNN Brasil, Brasília, DF, 20 set. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/conselho-do-mpf-analisa-nesta-semana-mensagens-de-vorcaro-sobre-gonet/. Acesso em: 20 set. 2026.

SADI, Andréia; BRAGA, Juliana. Diálogos de Vorcaro citam supostos pagamentos de R$ 500 mil a filho de ministro Nunes Marques, do STF. G1, [S. l.], 15 set. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/09/15/mensagens-vorcaro-filho-nunes-marques.ghtml. Acesso em: 20 set. 2026.

SCHREIBER, Mariana; ROSSI, Marina; PINA, Rute. Moraes no caso Master: o que mostram as mensagens atribuídas ao ministro do STF e Daniel Vorcaro. BBC News Brasil, [S. l.], 1 set. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr5024ngz39o. Acesso em: 20 set. 2026.

SOARES, Jussara. Dados do celular de Vorcaro ampliam guerra interna no STF. CNN Brasil, [S. l.], 19 set. 2026. Blogs. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/jussara-soares/politica/dados-do-celular-de-vorcaro-ampliam-guerra-interna-no-stf/. Acesso em: 20 set. 2026.

TEODORO E SAMPAIO. Se a casa cair. Compositores: Alcino Alves; Jovelino Lopes; Teodoro. In: TEODORO E SAMPAIO. A gostosona. [S. l.]: [s. n.], 1999. Disponível em: https://www.letras.mus.br/teodoro-e-sampaio/82266/. Acesso em: 20 set. 2026.

TEODORO, Plínio. Instituto de André Mendonça faturou ao menos R$ 10,8 milhões em 55 contratos públicos, 54 deles sem licitação. Revista Fórum, [S. l.], 3 set. 2026. Disponível em: https://revistaforum.com.br/politica/instituto-andre-mendonca-108-milhoes-contratos-sem-licitacao/. Acesso em: 20 set. 2026.

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